“A pós-modernidade parece
ter suprimido do inconsciente coletivo da humanidade a noção
cíclica da História. A ansiedade para seguir
sempre em frente, como se a vida fosse vivida num traçado
linear e mecanicista, parece ser a regra básica deste
fim de milênio. O desdém pelo passado é
outro fator preponderante nesta miopia histórica que
parece acometer nossa sociedade.
Não precisamos ir muito longe no tempo para nos depararmos
com uma abordagem diametralmente diferente desta. As civilizações
orientais, a egípcia, a grega, e mesmo a cultura dos
povos da América pré-colombiana partilhavam
uma visão cíclica da História. Os grandes
filósofos gregos tinham como um de seus paradigmas
básicos esta visão recorrente do fluxo da vida.
Na Índia em particular, berço de inúmeras
correntes filosóficas cujo impacto parece ser cada
vez maior no Ocidente, existe uma estrutura de pensamento
que norteia essa concepção da existência.
A rica diversidade das numerosas escolas metafísicas,
ao invés de significar conflito, apenas contribui para
estimular uma discussão que os hindus abraçam
apaixonada e alegremente.
Em ‘O Ciclo do Tempo’, Simone Boger expõe
e desdobra com singular clareza e lucidez toda essa abordagem
profundamente sábia que herdamos da civilização
que nos legou os Vedas e Upanishads. O desenvolvimento do
seu raciocínio nos conduz através das grandes
yugas (eras) da cosmologia védica e nos remete a textos
de pensadores ocidentais de diferentes épocas, como
Dostoievsky e Ovídio, evidenciando a sincronicidade
e a perenidade de certos conceitos universais.
Waldemar Falcão |