© 1996 Simone Boger

Editora Record/Nova Era
Rio de Janeiro
ISBN 85-01-04624-8

“A pós-modernidade parece ter suprimido do inconsciente coletivo da humanidade a noção cíclica da História. A ansiedade para seguir sempre em frente, como se a vida fosse vivida num traçado linear e mecanicista, parece ser a regra básica deste fim de milênio. O desdém pelo passado é outro fator preponderante nesta miopia histórica que parece acometer nossa sociedade.

Não precisamos ir muito longe no tempo para nos depararmos com uma abordagem diametralmente diferente desta. As civilizações orientais, a egípcia, a grega, e mesmo a cultura dos povos da América pré-colombiana partilhavam uma visão cíclica da História. Os grandes filósofos gregos tinham como um de seus paradigmas básicos esta visão recorrente do fluxo da vida.

Na Índia em particular, berço de inúmeras correntes filosóficas cujo impacto parece ser cada vez maior no Ocidente, existe uma estrutura de pensamento que norteia essa concepção da existência. A rica diversidade das numerosas escolas metafísicas, ao invés de significar conflito, apenas contribui para estimular uma discussão que os hindus abraçam apaixonada e alegremente.

Em ‘O Ciclo do Tempo’, Simone Boger expõe e desdobra com singular clareza e lucidez toda essa abordagem profundamente sábia que herdamos da civilização que nos legou os Vedas e Upanishads. O desenvolvimento do seu raciocínio nos conduz através das grandes yugas (eras) da cosmologia védica e nos remete a textos de pensadores ocidentais de diferentes épocas, como Dostoievsky e Ovídio, evidenciando a sincronicidade e a perenidade de certos conceitos universais.

Waldemar Falcão